Comprei Um Carro E Descobri Que Sou Corno

Capítulo 1


Eu estava afundado na merda financeira, como de costume. Aos 40 anos, preso num emprego pessíssimo que pagava uma miséria, ainda precisava correr atrás de bicos pra não afundar de vez nas contas que chegavam como enxurrada.

Foi o Felipe, meu amigo de faculdade, que veio com a salvação: “Compra um carro usado aqui na concessionária, João. Começa a rodar de Uber. Fiz umas planilhas aqui, olha só, vai resolver sua vida.” Ele mostrou uma apresentação de PowerPoint com gráficos bonitinhos, projeções otimistas, tudo super profissional.

Eu sabia, no fundo, que o filho da puta tava mais interessado em empurrar um estoque encalhado do que em me tirar do buraco, mas os números faziam sentido. Daria pra pagar a prestação do carro, sobraria uma graninha por mês, e eu ainda poderia usar o carro pra levar as crianças na escola, fazer mercado, essas coisas.

Senti um aperto no peito de pura vergonha quando entrei na concessionária. A gente havia estudado administração juntos, morado na mesma república, conquistado o diploma na mesma colação de grau. Hoje ele era o dono de um negócio próprio e eu fazia conta de quantos pães eu conseguia comprar na padaria antes do meu cartão de crédito estourar. Naquele momento achei que tinha batido no fundo do poço. Mal sabia que o poço era milhares de quilômetros mais fundo.

Os primeiros dias do Uber foram um inferno. Oito horas no meu trampo CLT, almoçando sanduíche frio na frente do computador, depois mais cinco, seis horas dirigindo pela cidade, ouvindo passageiro reclamar de trânsito, ser mal-educado, batendo a porta do meu carro. Quando chegava em casa, as costas pareciam ter sido moídas numa britadeira. Mas bastava abrir a porta e ver o rostinho das crianças correndo pra me abraçar, ou a Letícia sorrindo daquele jeito calmo, de quem segura a barra toda, que a dor amenizava.

A gente tinha nosso ritual sagrado. Depois do jantar em família, onde eu perguntava pros meninos sobre a escola, ouvia minha esposa contar do dia dela e fingia que a vida era só aquela sala, a gente se jogava no sofá. Eu deitava atrás da minha esposa, fazendo a conchinha perfeita, minha mão coçando as costas dela devagarinho, fazendo cafuné no cabelo enquanto ela suspirava e dizia, voz baixa: “Você é o melhor pai do mundo, amor. O melhor marido. A gente tem tanta sorte de ter você.” Aquilo me enchia o peito de um calor idiota, quase infantil. Fazia todo o sacrifício parecer valer a pena. Eu acreditava nela. Acreditava pra caralho. A gente só entende as coisas quando já é tarde demais.

Era uma segunda-feira. Peguei o primeiro passageiro do dia, um moleque que não devia ter nem metade da minha idade, com uma camiseta de marca que provavelmente custava mais do que eu ia faturar na semana inteira rodando feito um condenado. Nem bom dia deu, só entrou e bateu a porta com força.

Beleza. Esse é o trabalho. Engoli seco e segui.

Cinco minutos depois, paramos no farol. De repente, o Bluetooth do carro conectou sozinho num dispositivo por perto. Fiquei olhando aquilo como idiota, sem entender porra nenhuma. Pelo retrovisor, vi que o garoto também franzia a testa, tipo "que caralho é isso agora?".

Aí veio a voz. Alta, clara, inconfundível.

“Pode vir, amor... o corno já saiu daqui. Tô com a pepeca raspadinha do jeito que você gosta. Vem logo que eu tô louca pra te sentir dentro de mim.”

Silêncio mortal no carro. O moleque arregalou os olhos, boca aberta.

Ela insistiu: “Alô? Alô? Alô?” E desligou, achando que a ligação tinha caído.

O passageiro explodiu numa gargalhada.

“Puta merda! Ainda bem que não sou eu o corno dessa piranha! Que safada do caralho, hein?”

Pisei no freio com tudo. Carros começaram a buzinar ao meu redor, pneus cantando, gente me xingando. Mas eu nem me importei, o sangue subiu tão rápido que minha visão embaçou.

“Sai do carro.”

“Quê?”

“Sai. Do. Carro. Agora.”

Ele parou de rir na hora, confuso pra cacete. “Peraí, mano, o que eu fiz? Eu só—”

“Sai antes que eu te arraste pela janela.”

Ele resmungou algo sobre dar uma estrela e que eu era lunático, mas desceu. Ele espancou a porta do meu carro, meti o pé e saí dali queimando pneu.

Claro que o coitado não tinha culpa. Como ele ia saber que a voz misteriosa vindo do meu rádio era da minha mulher? Mas na hora a raiva era um bicho solto dentro de mim, e ele era a pessoa mais próxima.

Dirigi pra casa com a cabeça a mil. Tentava racionalizar: devia ser o antigo dono do carro, o celular dele ainda estava pareado no Bluetooth. Era uma coincidência do caralho — o amante da minha esposa marcando de foder na minha casa exatamente quando eu estava parado no mesmo farol que ele. O universo tem um senso de humor sádico da porra.

Estacionei o carro, longe da minha casa, mas num lugar que eu ainda conseguia ver o portão. Sentia a minha garganta fechar, mas ainda tinha uma pontada de uma esperança idiota. Talvez tudo aquilo não passava de uma paranóia minha, eu estava louco de tanto trabalhar e aquela não era a voz da minha esposa.

Só que não demorou nem dez minutos para essa esperança morrer. Vi o cara chegando a pé pela calçada, discreto, olhando pros lados. Entrou sem nem tocar a campainha.

Não conseguia acreditar em quem era. Naquele instante, eu soube que minha vida inteira tinha virado uma grande e amarga piada.

Capítulo 2


Felipe era o meu melhor amigo desde a época em que dividia o quarto fedido da república comigo. Ele aparecia quase todo fim de semana na minha casa com a esposa e os filhos, trazendo cerveja artesanal cara pra caralho. E, principalmente, foi esse filho da puta que, há quinze anos, me apresentou à minha esposa.

Literalmente ele me trouxe ela pelos braços. Eu lembro daquela noite como se tivesse sido ontem.

A república estava um caos. Sexta-feira, final de semestre, gente demais pra pouco espaço. O som alto fazia as paredes vibrarem, o chão grudava no pé de tanta cerveja derramada, e tudo fedia a álcool. Eu estava encostado na pia da cozinha, segurando um copo de plástico, tentando me embebedar o suficiente pra aproveitar a festa.

Foi quando o Felipe apareceu. Vinha de braços entrelaçados com uma loirinha baixinha e, pelo jeito como os dois riam alto, se cutucavam e se encostavam sem a menor cerimônia, assumi que estavam se pegando. Embora ele já namorasse sua atual esposa, era muito raro ele sair de uma festa no zero a zero.

“João, essa é a Letícia, minha amiga da escola. Letícia, esse é o cara que eu te falei.”

Senti a inveja mais intensa que já tive na vida. Letícia era exatamente o tipo que me fazia perder o ar. Loira, baixinha, peitos médios, bunda redonda que preenchia a calça jeans, como se tivesse sido costurada no corpo dela. Mas o que me pegou de verdade foi a carinha de santa… inocente, quase angelical, que me fazia imaginar as maiores perversões. Não sabia quais poderes mágicos aquele filho da puta tinha para pegar alguém como ela.

“Você mora aqui também?”, ela me perguntou.

Antes que eu abrisse a boca, Felipe respondeu por mim: “Sim, ele divide quarto comigo!”

Letícia deu um soquinho leve no braço dele.

“Deixa o menino responder!”

Felipe riu alto, já bem alterado graças à cerveja quente da festa, e soltou uma bomba sem filtro nenhum: “Ah, ele estuda administração, divide o quarto comigo e é um amante bem generoso… pronto, já sabe tudo sobre ele. Agora tá na hora de você convencer que é digna dele. Jão, sabia que ela faz um oral maravilhoso?”

“Aí, como você é idiota!”, Letícia berrou, corando instantaneamente. Foi pra cima do Felipe sem pensar, e os dois começaram uma guerra de cócegas, desajeitada, barulhenta e chamando atenção de todos ali. Risadas, empurrões, mãos se procurando mais do que o necessário. Aquilo só acabou quando ele segurou os dois braços dela acima da cabeça, rindo, e puxou ela pra perto num abraço.

Era a versão adulta das crianças que ficam puxando o cabelo uma da outra no recreio. Os dois estavam flertando, mesmo que fosse duma forma bem infantil. O que eu não entendia era por que diabos tinha sido enfiado no meio daquele joguinho.

Deixei eles para lá, fiquei só mais um pouco na festa, mas o cansaço bateu. Subi pro quarto antes da música parar, joguei o tênis num canto e apaguei quase na hora.
 
Algum tempo depois fui acordado no susto.A porta do quarto se abriu com força, os dois rindo alto. Felipe entrou primeiro, tropeçando, seguido da Letícia, que ria e mandava ele calar a boca sem muita convicção.

Eu virei pro lado, fingindo dormir, mas estava acordado demais pra ignorar aquilo.

Felipe se jogou na cama de bruços, espalhando os braços. “Tô morto. Faz uma massagem aí, Lê. Só um pouquinho.”

Ela nem hesitou. Montou nas costas dele com toda a naturalidade de quem já tinha feito aquilo outras vezes. Começou a apertar os ombros, os dedos afundando devagar, enquanto ele soltava gemidos exagerados de alívio.

“Aí que massagem gostosa, minha putinha… tô morrendo de tesão.”

“Putinha? Você tá louco?”, Letícia disse enquanto beliscava ele.

Eu achei que eles fossem transar ali mesmo, comigo “dormindo”. Mas não. Eles continuaram somente naquela brincadeirinha deles, falando besteira, rindo baixo, sem nenhum dos dois passarem daquele limite. 

Depois de um tempo a massagem terminou, Letícia deitou do lado dele, e os dois dormiram. Achei estranho, mas naquela época definitivamente o que eles faziam não era da minha conta.

No dia seguinte acordei com a luz entrando pela janela e um peso estranho no peito. Virei a cabeça por instinto — e vi os dois dormindo de conchinha. Letícia encaixada nele, o braço jogado por cima do peito do Felipe. Levantei em silêncio, me arrumei e fui pra faculdade.

Se a interação deles durante a festa já tinha sido incomum, o que o Felipe veio me falar quando voltei pra casa foi ainda mais surreal.

“Pô, você é viado, cara?”, ele disse, rindo. “A Letícia acordou chateada hoje. Ficou falando que tava se sentindo feia porque você não tentou ficar com ela.”

“Você tá brincando, né?”

“Lógico que não! Ela adorou você. Disse que te achou super “fofinho”. Palavras dela.”

Fiquei alguns segundos em silêncio, tentando organizar a cabeça. “Cara… eu nunca furaria o olho de um amigo meu.”

“Como assim?”

A confusão genuína no rosto dele me deixou extremamente confuso. Pra mim, o que eu estava dizendo era óbvio demais. Mesmo assim, tentei explicar: “Ah, mano… você é como um irmão pra mim. E vocês dois claramente têm algo…”

Nem consegui terminar a frase.

Felipe caiu na gargalhada. Literalmente. Se abaixou, apoiou as mãos nos joelhos e acabou rolando no chão da cozinha, rindo como se eu tivesse contado a piada mais absurda do mundo.

“Pelo amor de Deus!” disse, enquanto tentava recuperar o fôlego. “A Lê é como uma irmã pra mim. Seria até nojento pensar em pegar ela.”

Ele enxugou uma lágrima e completou: “Relaxa, cara. Você tem minha benção. Toma o número dela, chama pra sair.”

E eu obedeci.

O resto é história. Namoramos por um tempo, fomos morar juntos, casamos antes mesmo de eu terminar a faculdade. Quinze anos de casamento. Dois filhos. Uma vida inteira construída em cima daquela conversa.

E agora eu tinha que lidar com um par de chifres — dela com o meu melhor amigo.

Não é que eu nunca tivesse imaginado que algo tivesse acontecido… ou que pudesse acontecer. Eles nunca pararam com as brincadeiras, com as cócegas, com os abraços demorados, com as massagens. Com o tempo, eu só aceitei que aquele era o jeito deles. Confiei. Me convenci de que estava tudo bem.

E esse foi o meu maior erro.

Capítulo 3


Entrei em casa como um fantasma. Tirei os sapatos na porta e fechei a porta com o maior cuidado do mundo pra não fazer barulho. O coração queria pular pela boca, mas eu não podia deixar que eles percebessem.

Subi a escada devagar, segurando o corrimão com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Degrau por degrau. Cada passo era uma contagem regressiva pro inferno que ia encontrar.

O quarto ficava no fim do corredor. Ainda faltavam uns metros quando comecei a ouvir o som da cama rangendo de forma ritmada. A porta estava entreaberta — não muito, uns dez centímetros, o suficiente pra ver sem ser visto.

Cheguei na fresta e congelei.

Letícia de quatro, de costas pra mim. A bunda empinada, redonda, brilhando de suor. A pele clara marcada de vermelho nas laterais onde as mãos dele apertavam com força. Felipe atrás dela, nu, bronzeado, magro, os músculos das costas se contraindo a cada estocada lenta, quase preguiçosa, saboreando cada centímetro da buceta da minha esposa. Eles estavam à vontade demais.

De repente, Felipe deu uma gargalhada baixa, daquelas que saem do fundo do peito. Letícia virou o rosto, o cabelo loiro caindo de lado, e perguntou com voz manhosa: “Que foi agora?”

“Tô só imaginando o corninho”, respondeu, ainda rindo, enquanto dava uma estocada mais funda que a fez arquear as costas. “Rodando de Uber no carro que eu vendi, suando pra pagar a prestação, enquanto eu tô aqui arrombando a sua bucetinha.”

A frase caiu como ácido na minha cara. Eles riam de mim enquanto consumavam a traição na minha casa, na minha cama. A sensação que eu tive há mais de quinze anos atrás, de que era apenas um apetrecho para apimentar a relação deles, se provava verdadeira.

“Como você é idiota, Felipe!”, ela respondeu indiguinada, enquanto rebolava de leve no pau dele. “Pelo menos ele trabalha, diferente da vaca da sua esposa que não faz porra nenhuma…”

Ele acelerou o ritmo. A cama batia na parede com mais força. Letícia fechou os olhos e mordeu o lábio daquele jeito que eu conhecia tão bem. Felipe deu outra estocada funda e soltou, com a voz grossa, uma mistura de tesão e desprezo: “A vaca me dá o cu sempre que eu quero. Não é uma frescurenta que nem você.”

“Lá vem você com essa ladainha de novo…”, minha esposa retrucou, se soltando dele com um movimento brusco. Deitou de costas, colocou uma perna no peito dele e empurrou de leve, brincando. “Se gosta tanto de cu, vai lá com a vaca então. Não precisa vir aqui.”

Felipe se desvencilhar das pernas dela, segurando o tornozelo dela e abrindo pernas da minha esposa, para ele entrar no meio. Enquanto beijava o pescoço dela, mordeu a curva do ombro e murmurou no ouvido: “Você é demais falsa, porra… Vai fingir que não quer que eu te coma forte agora? Vai esperar o corninho chegar? Você não aguenta um dia sem essa rola.”

Ela deu um tapa nas costas dele, fez cara de brava por meio segundo, mas quando foi falar algo fracassou. Felipe entrou com o pau inteiro novamente dentro dela, e ao invés de protestos, o que saiu da boca da minha esposa foi um gemido longo.

De onde eu estava dava pra ver tudo: a bunda dele subindo e descendo, os músculos das costas se contraindo, a cama que eu dividia com ela há quinze anos batendo na parede como se quisesse derrubar a casa inteira. O cheiro de sexo e suor invadia o corredor. Não conseguia me mexer. Não conseguia respirar direito.

E logo, consegui ver o efeito que Felipe causava no corpo da minha mulher. 

Os dedos dos pés se curvando com força. 

As coxas tremendo descontroladas. 

A boca entreaberta soltando suspiros curtos. 

As unhas dela cravando nas costas dele, deixando marcas. 

Letícia pegou meu travesseiro e tampou a própria cara, soltando um berro abafado que atravessou a fronha e me acertou como um soco no estômago.

Felipe aproveitou. Saiu de dentro dela, montou na barriga da minha esposa e começou a se masturbar com o pau duro apontado para a cara dela.

“Bom, tem uma coisa que eu não posso negar… isso você faz melhor que a Camila”, disse, enquanto aproximava a cabeça do pau mais e mais perto da boca dela.

Ela nem hesitou. Numa posição desconfortável, sustentando o tronco só na força do abdômen, Letícia abriu a boca e engoliu sem questionar. Chupava com vontade, com uma fome… parecia uma cadela treinada querendo agradar o dono. 

Ele passou a mão por trás da cabeça dela, segurou o cabelo loiro com firmeza, controlando o movimento, entrando e saindo da boca dela, cada vez mais rápido.

O barulho molhado da saliva, os engasgos leves quando ele empurrava mais fundo, os gemidos abafados dela misturados com a respiração pesada dele. Letícia deixou as mãos nas coxas dele, apertando, arranhando, incentivando. Ele acelerou, o quadril batendo no queixo dela, o saco batendo no pescoço.

“Isso… engole tudo, sua puta…”

Ela respondeu olhando direto pra ele, com uma submissão que eu nunca tinha visto no rosto dela. O corpo dele enrijeceu. Ele puxou o cabelo dela com mais força, enterrou o pau até o fundo da garganta e ficou lá, pulsando. Letícia engoliu tudo — dava pra ver a garganta dela trabalhando —, sem deixar uma gota escapar. Ele saiu devagar enquanto minha esposa lambia cada centímetro daquele pau, garantindo que nenhuma gota sujasse a nossa cama.

Felipe desabou ao lado dela, ofegante, rindo baixo. “Caralho… você é imbatível nisso.”

Ela virou de lado, encostou o rosto no peito dele e murmurou: “E você adora, né, seu filho da puta.”

Naquele momento eu quebrei.

 

A história continua.

Se esse capítulo te prendeu, o resto vai mais longe.

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