Corno No Reality
Capítulo 1
Quando minha esposa mandou uma mensagem dizendo que precisávamos conversar, que já tinha contratado uma babá para ficar com nossa filha e feito uma reserva num restaurante, eu imediatamente me sentei no computador e preparei um discurso, como se fosse um candidato ao Oscar.
Era estranho, eu sei.
Mas aquela era a minha forma de lidar com notícias ruins. Sentia que, se estivesse preparado, o golpe seria menor.
No meu discurso, eu começava agradecendo pelos dez anos maravilhosos e pela filha que tínhamos juntos. Depois, deixava claro que, embora a decisão de nos separarmos fosse inteiramente dela, isso não mudava nada. Eu sempre torceria por sua felicidade, onde quer que ela estivesse, com quem ela estivesse.
Li e reli o texto na tela e me senti orgulhoso da minha maturidade. De forma alguma aquele discurso traduzia o terror que habitava dentro de mim e as incertezas que uma mudança daquela magnitude traria para a minha vida, mas não era como se eu tivesse uma escolha real ali.
Porque, no fim das contas, existem dois tipos de problemas: aqueles que têm solução e os que não têm. E eu sabia que tentar mudar a cabeça de Ana depois que ela já havia tomado sua decisão, era um problema do segundo tipo.
Faltavam ainda algumas horas para a gente se encontrar. Eu até tinha um freela para entregar no dia seguinte, mas não tinha energia nem foco suficientes para trabalhar naquela hora.
Existe aquele clichê de que, quando você morre, vê sua vida inteira passar diante dos seus olhos. Agora, eu vivia uma experiência parecida com o meu casamento.
As cenas iam passando pela minha mente, e eu tentava entender onde foi que as coisas deram errado. Dez anos casados, fora o tempo que a gente passou namorando, e a gente não teve nenhuma briga.
Era estranho, eu sei.
Mas acho que aquela paz permanente e duradoura era o resultado de uma união de mindsets peculiares. Ana não começava nenhuma briga porque acreditava que tudo sempre se resolveria. Já eu, não começava nenhuma briga porque não acreditava que os problemas podiam ser resolvidos.
Bom, talvez nenhuma briga seja um exagero da minha parte. Para não mentir, antes de a gente começar a namorar, tivemos um período mais intenso de discussões.
Ana achava que eu não a valorizava, que ela era só mais uma que eu usava para sexo e que eu nunca assumiria o nosso relacionamento. E, naquela época, ela tinha um pouco de razão, já que eu estava ficando com ela e com mais outras duas meninas.
Mas, se ela citasse esse episódio há mais de uma década atrás durante o jantar, eu seria obrigado a desviar do meu script elegante de aceitação do divórcio e fazer uma cena no restaurante.
Havia cometido um crime lá atrás? Provavelmente. Mas eu era um moleque que não sabia nada da vida. Havia passado tanto tempo que meu crime tinha prescrito.
E, de qualquer forma, não achava que ela fosse tocar nesse assunto naquela noite. Se fosse para procurar um culpado pelo fim do nosso casamento, não precisávamos ajustar o capacitor de fluxo do DeLorean para uma década atrás. Bastava voltar um ano.
E o verdadeiro vilão era o ChatGPT.
Sinto um pouco como um vilão do Scooby-Doo dizendo isso, mas eu teria conseguido manter meu casamento se não fosse por esse IA intrometida.
Imagine-se no meu lugar.
Primeiro, você gasta anos da sua vida aprendendo várias línguas. Decora vocabulário, gramáticas contraditórias, milhares de regras cheias de exceções.
Depois, trabalha por anos com tradução. Constrói contatos, reputação, confiança. Vira “o cara” para quem ligam quando o texto é difícil demais, quando não pode haver erro.
E então, depois de todo esse esforço, alguns engenheiros do Vale do Silício lançam, da noite para o dia, uma tecnologia que deixa meu trabalho e minhas habilidades obsoletos.
Pouco a pouco, as oportunidades começaram a sumir. Passei a ganhar em um mês o que antes fazia em uma semana. E as coisas começaram a mudar dentro de casa.
Não foi que, no momento em que o dinheiro virou um problema, a gente começou a se odiar. A forma como ele nos atacou foi muito mais sutil.
O ciclo começava com o estresse. As contas chegavam, o saldo não fechava, e a cabeça entrava em looping, tentando prever o dia em que simplesmente não daria mais para pagar.
Depois, a intimidade morria. Não por falta de amor, mas por exaustão. Até porque, quem consegue trepar quando está morrendo de dor de cabeça de tanto pensar em dívidas?
Sem intimidade, os pequenos problemas cresciam e viravam monstros — como Gremlins alimentados depois da meia-noite. Uma palavra no tom errado, um atraso, esquecer a luz da cozinha acesa. Qualquer coisa podia ser a faísca que fazia toda a pólvora acumulada na casa explodir.
E, no fim, o ciclo se fechava sobre si mesmo. Porque essas discussões aparentemente pequenas não resolviam nada. Só alimentavam mais estresse, que matava mais intimidade, que criava novos conflitos.
Quando dei por mim, já estava na hora marcada do jantar.
Pelo menos aquele redemoinho de pensamentos compulsivos fez a tarde passar mais rápido.
Bom, se é inevitável, então o jeito é relaxar e gozar.
Cheguei pouco tempo depois da minha esposa ao restaurante. Ana já estava na mesa, mexendo no celular. Confesso que fiquei um pouco ofendido com as roupas dela.
Ela estava com um macacão escuro, bem justo, e com um decote profundo. Era uma mistura de chique com sexy. Uma roupa apropriada para o restaurante, mas definitivamente não era a que eu esperava que ela usaria para me chutar.
E foi ali, enquanto caminhava em direção à mesa, olhando para minha esposa sentada, que me veio à cabeça o pensamento mais escroto que um ser humano pode ter numa hora dessas.
Se eu soubesse que a gente ia acabar, deveria ter transado mais com ela.
No mesmo segundo em que esse pensamento surgiu, eu já me senti um monstro. Mas, em minha defesa, é difícil manter a cabeça no lugar quando a pessoa com quem você vai jantar é a Ana. Mesmo depois de uma década juntos, eu ainda ficava maluco perto daquela mulher.
Por mais que o conjunto inteiro chamasse atenção, o que realmente roubava a cena eram os seios. Grandes, volumosos, cheios, levemente desproporcionais pro tamanho dela, que a gravidade moldava pra lembrar duas luas cheias encaixadas em seu corpo.
O rosto dela sempre foi minha parte favorita. Olhos grandes e amendoados, de um castanho claro que às vezes parecia verde, dependendo da luz. Nariz pequeno, reto, delicado. E os lábios… vermelhos, carnudos — motivo constante de piada entre nós dois por causa do tamanho da boca dela.
E ainda por cima Ana envelhecia como vinho. Depois do parto, virou rata de academia. O corpo ficou mais firme, mais definido. Os braços ganharam contornos sutis, o abdômen ficou liso e marcado, e a bunda… as amigas chegaravam a insinuar que ela tinha feito plástica.
Por isso, sentar naquela mesa era difícil. Além de perder uma companheira e a mãe da minha filha, eu sabia que nunca conseguiria uma mulher que chegasse aos pés dela.
Quando percebeu que eu estava lá, Ana sorriu, levantando o rosto em minha direção para que eu a beijasse. Sentei na cadeira à sua frente e fiquei em silêncio, esperando que ela desse o primeiro passo da conversa.
Em vez disso, ela pegou o cardápio, escolheu os pratos e depois puxou um papo sobre banalidades, como o tempo e o trânsito.
Minha vontade era sacudi-la e perguntar por que raios havia marcado aquele jantar.
Mas talvez ela tivesse razão. Era melhor esperar o garçom vir à nossa mesa, para que a conversa não fosse interrompida.
O garçom veio à mesa. Pedimos o vinho, as entradas e o prato principal. Ninguém sairia com fome do nosso último jantar.
Ana voltou a falar sobre o tempo. Não aguentei.
— Ana… eu não aguento mais. Você manda, ao meio-dia, uma mensagem dizendo que precisamos conversar. Pode ir direto ao ponto? A ansiedade está me matando.
Eu esperava qualquer coisa naquele momento, menos que ela começasse a gargalhar.
— Ah, que bom que minha dor e sofrimento é comédia para você… — falei ironicamente, contagiado pelos risos dela — Você pode me contar o que era tão importante que não podia ser dito por mensagem?
— Você é tão bobo, amor. Não é coisa ruim — Ana disse, aos poucos retomando o controle do seu corpo — Eu tenho uma grande notícia! Recebi o contato de um produtor de TV… e ele quer que a gente participe de um reality!
Capítulo 2
Ana é professora de matemática. Antes de perder o emprego, ela tinha apenas alguns poucos alunos particulares e ficava mais focada em resolver as coisas de casa e cuidar da nossa filha.
Cansada de repetir as mesmas explicações para alunos diferentes, achou que seria legal gravar vídeos curtos explicando os conteúdos de um jeito simples. Criou um canal de matemática no TikTok.
O sucesso veio muito mais rápido do que a gente esperava. Em duas semanas, já tinha alguns milhares de seguidores. Em um mês, recebeu a primeira proposta para fazer uma publi.
Um dia, Ana abriu o aplicativo rindo e me mostrou a demografia dos seguidores dos vídeos. Eu já imaginava que não fosse um público muito diverso, mas não tinha ideia da proporção. Mais de noventa por cento eram homens, e quase metade tinha mais de trinta anos. Certamente não estavam ali para aprender tabuada ou revisar regra de três.
Sei que a maioria das pessoas se incomodaria com a ideia de estranhos homenageando virtualmente o seu cônjuge. No nosso caso, aquilo acabou virando piada. Quando eu via que ela estava gravando, perguntava se estava fazendo mais uma livezinha para o velho da lancha. Ela ria, revirava os olhos e seguia com o vídeo como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Também não era como se Ana tivesse qualquer controle sobre o uso que faziam dos vídeos ou das fotos dela. Nada garantia que os tarados já não estivessem batendo uma para o perfil do LinkedIn dela. Dessa forma, pelo menos a insanidade era monetizada.
E, foi justamente esse canal no TikTok que chamou a atenção de um produtor de televisão. Segundo ele mesmo contou depois, tinha visto alguns vídeos da Ana por acaso, gostado do jeito espontâneo dela diante da câmera e, principalmente, percebido o engajamento absurdo que ela gerava.
Por isso, estava com minha esposa naquela sala de reunião.
Não existia cenário algum em que eu toparia, de livre e espontânea vontade, participar de um reality show. Sempre achei esse tipo de programa uma novela mal disfarçada, feita para gente estúpida o bastante para acreditar que aquilo tudo era real.
Mas eu também sabia que, naquele momento, qualquer recusa seca poderia ser interpretada como falta de apoio. Nosso casamento já estava frágil demais para eu bater o pé. Aceitei participar da reunião, mas já entrei na sala com a resposta pronta na cabeça.
Eu só não esperava que a reunião fosse tão… “caricata”. No primeiro slide, havia apenas o logo do programa.
No fundo da imagem, uma mansão luxuosa e palmeiras altas sob um céu alaranjado, dando a sensação de que o programa se passaria em algum lugar paradisíaco.
O centro da imagem era dominado por um homem alto, de físico atlético, pele bronzeada e um sorrisão. Ele usava óculos escuros espelhados, uma corrente dourada grossa e uma camisa tropical vermelha, aberta, deixando o peito à mostra.
Uma loira e uma morena de biquíni se jogavam contra o corpo dele, como se estivessem numa disputa.
E talvez, se aquilo ainda não fosse absurdo o suficiente, o nome do programa em letras garrafais, brilhava em dourado, como se fosse uma escultura de ouro.
Casa do Ricardão.
Devia ter me levantado e saído da sala, sem dar nenhuma explicação.
Mas sabe quando você recebe aquelas ligações de golpe e fica dando trela para entender como o golpe funciona? Era parecido.
Eu precisava saber qual era a estratégia que aquele lunático usaria para me convencer a participar de algo com um nome e um logo tão absurdos.
Os slides seguintes introduziam a premissa básica do programa.
Casais seriam separados por duas semanas. As esposas iriam para a Casa do Ricardão, onde viveriam com homens solteiros — um para cada mulher.
Já os maridos ficariam em uma sala de controle, acompanhando tudo em tempo real, reagindo, expondo seus sentimentos para o público.
Depois de alguns slides, interrompi.
Perguntei se a gente receberia um script, para combinarmos quais seriam nossos personagens dentro do programa, para definir o que seria aceitável ou não.
O produtor fechou a expressão, visivelmente ofendido com o que eu tinha dito. Começou então uma palestra sobre como ele nunca se dignaria a fazer um reality armado: a Casa do Ricardão não teria roteiro nem combinações. Tudo o que aconteceria seria um experimento social real.
Apenas assenti enquanto ele falava, mas, na minha cabeça, eu sabia que, por dinheiro nenhum, eu entraria naquele simulador de corno manso.
Depois, ele passou para um slide com apenas um texto no centro.
Regra do Toque
As esposas não poderiam recusar contato físico dos solteiros durante as interações do programa, exceto toques em seus seios e na vagina. Segundo o produtor, isso garantiria envolvimento e evitaria que o programa ficasse sem ritmo e sem conteúdo.
Nesse momento, comecei a procurar por câmeras escondidas na sala. Parecia uma pegadinha. Não tinha como aquela reunião ser real.
Ana pareceu precisar confirmar que estava entendendo corretamente.
— Mas… o que exatamente vocês consideram um toque?
— Não sei se entendi sua dúvida — o produtor disse, inclinando a cabeça.
— O toque precisa ser com a mão? Ou conta qualquer contato físico? Eles podem usar outras partes do corpo?
Ele fez uma pausa calculada antes de responder.
— Pelas regras do programa, só há punição quando existe contato com partes íntimas. Fora isso, não há restrição quanto ao tipo de contato ou à parte do corpo utilizada.
— Então você está dizendo que alguém poderia beijar minha esposa à força? — interrompi.
— Eles podem encostar os lábios em qualquer área permitida — respondeu —, mas ela não é obrigada a corresponder.
— Ou seja, pode apalpar, lamber, beijar, roçar o pau, e ainda assim teria que aceitar isso como parte do jogo? Vocês realmente não acham isso perigoso?
Naquele momento, eu não estava irritado. Pelo contrário. Havia uma estranha satisfação em empurrar aquela conversa até o limite. Eu tinha certeza de que Ana jamais aceitaria algo assim.
— Veja bem… apesar da regra, todos os participantes sabem que existem limites. E nós vamos agir em situações extremas. Seria péssimo para o programa se algo pudesse ser interpretado como violência ou humilhação — o produtor respondeu, tentando retomar o controle da reunião. — A ideia é criar um ambiente provocador, intenso… um teste real para a relação de vocês. Nada além disso.
O fato de ele ter conseguido dizer aquilo em voz alta era apenas a cereja do bolo.
Ainda havia um monte de slides sobre regras do programa, direito de uso de imagem e o que a gente poderia ou não fazer depois das gravações. Confesso que não prestei muita atenção. Eu já tinha tomado minha decisão; não precisava saber o resto dos detalhes.
Até que chegamos ao último slide, o único que realmente importava: o cachê e a premiação.
Um valor absurdo. Algo quase impossível de recusar na situação financeira em que estávamos. Quase…
Considerando toda exposição, todos os riscos, para mim, não valia a pena. Mas, com certeza, falar não tinha ficado muito mais difícil depois daquele último slide.
Quando a apresentação finalmente acabou, olhei para Ana, esperando que ela compartilhasse do meu sentimento de que aquilo havia sido uma perda de tempo.
Mas não.
Ela sorria animada, quase elétrica, como uma criança num parque de diversões.
Bateu um desespero.
Odiava a ideia de que seria obrigado a puxá-la de volta para a realidade.
Capítulo 3
— Vou deixar vocês sozinhos para conversarem — o produtor disse, já juntando as coisas e indo em direção à porta. — Mas a gente está com uma certa urgência no casting. Preciso de uma resposta agora: sim ou não.
A porta mal se fechou, e Ana virou para mim, ansiosa por aquele momento.
— E aí? — ela perguntou, sorrindo. — O que você achou, amor? Não tem como a gente recusar, né?
Passei a mão na testa antes de responder.
— Você está falando sério? Aquela apresentação foi a coisa mais insana que eu já vi na vida.
— Ah, Bre… eu acho que você está levando tudo muito ao pé da letra. Ele quis chocar a gente, só isso. No fim, vai ser um realityzinho tipo Ilha da Tentação, De Férias com o Ex… nada demais.
— Ana — eu disse, sentindo a voz endurecer —, imagina sua mãe ligando a TV e te vendo ali, sendo sarrada à força por um estranho.
— Você não prestou atenção em nada da reunião, Breno?! — rebateu, revirando os olhos para mim. — O programa não vai passar em streaming nenhum, nem em TV aberta. É só para assinantes, num site que quase ninguém conhece aqui no Brasil.
— Sim — respondi, sem pensar muito. — Igual ao reality do Ítalo Santos.
— Aí, Breno… que comparação esdrúxula.
Aproveitei a brecha.
— Pensa bem, amor. Se eles fizerem dez por cento do que prometeram naqueles slides, isso vira caso de polícia.
— Você precisa ser sempre tão exagerado?
— Amor, acho que você não está levando em conta todos os riscos — eu disse, forçando uma calma quase científica, porque precisava que ela desse razão à lógica. — Basta uma palavra fora do lugar ou um corte maldoso na edição, e nossa imagem vai embora para sempre.
Ana ficou em silêncio por um instante. Vi os olhos marejarem antes mesmo de a primeira lágrima cair.
Eu não estava preparado para aquele golpe.
— Breno… — ela disse. — Seu problema não é o programa. O problema é que você não confia em mim.
Abri a boca para responder, mas ela não deixou.
— Você está inventando esses cenários absurdos porque, no fundo, acha que eu não daria conta — continuou, limpando o rosto com as costas da mão. — Que eu perderia o controle. Que eu faria alguma merda se tivesse a chance.
— Não é isso — falei rápido demais. Soou defensivo até para mim.
Ana cruzou os braços, respirando fundo.
— É exatamente isso, sim. Você vai deixar essa oportunidade passar porque acha que alguma coisa vai acontecer. Porque você não acredita que eu sei dizer não.
Quis me explicar. Dizer que não era medo de traição. Que era medo da exposição, do julgamento, da perda de controle.
Mas nada saiu. As palavras simplesmente não se organizaram.
Ana assentiu sozinha, como se meu silêncio já fosse uma resposta.
— No fundo, Breno — ela disse, me olhando direto — você não está dizendo não para o reality. Está dizendo não para mim.
Senti o chão sumir debaixo dos meus pés.
O tom da conversa tinha mudado de forma abrupta. Era como se a gente já estivesse tendo a nossa primeira discussão como participantes do reality.
E eu estava vivendo a minha própria escolha de Sofia.
Se dissesse não, minha esposa sairia daquela sala com a certeza de que eu não confiava nela. A frustração e o ressentimento poderiam ser a gota d’água de um casamento que já vinha sendo testado desde que perdi o emprego.
Se dissesse sim, abriria mão de qualquer controle sobre a minha própria vida.
E eu não queria nem pensar no que faria caso Ana não resistisse à tentação…
Entre a cruz e a espada, apenas acenei com a cabeça. Ana entendeu.
Éramos os mais novos participantes da Casa do Ricardão.
A história continua.
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